| |
ESQUECERAM O GOLBERY
No auge dos escândalos de corrupção, eu e tantos outros considerávamos aquele o momento ideal para pedir o impeachment do apedeuta. Era a decisão óbvia e correta. Mas ouvi(mos) várias vozes relutantes. Primeiro porque diziam que "não havia ambiente político" (seja lá o que isso significa). E também porque seria muito melhor desmoralizar o torneiro-mecânico nas urnas, derrotando-o no voto.
Estava claro que tal raciocínio estava torto, mas o tempo passou. O sujeitinho deve ganhar mais quatro anos.
Por quê?
Pelo mais absoluto desconhecimento da moral frouxa do povo que vive por aqui. Porque se esqueceram de Golbery do Couto e Silva, que definiu o espírito nacional com a constatação de que "o brasileiro leva 15 dias para esquecer".
Escrito por Reaça às 03h00
[]
[envie esta mensagem]
ESTADO DE S.PAULO - 18/8/2006
A cultura das nações
David Brooks
Diplomatas em Nova York têm uma enorme quantidade de multas de estacionamento que jamais foram pagas, mas nem todos cometem tantas infrações desse tipo. De acordo com os economistas Raymond Fisman e Edward Miguel, diplomatas de países que ocupam as primeiras posições no índice de corrupção da Transparência Internacional acumulam o maior número dessas multas não pagas, enquanto diplomatas de países situados mais abaixo nesse mesmo ranking raramente cometem tais irregularidades.
Entre 1997 e 2002, a missão do Kuwait nas Nações Unidas totalizou 246 infrações de estacionamento para cada um de seus membros do corpo diplomático. Diplomatas do Egito, do Chade, do Sudão, de Moçambique, do Paquistão, da Etiópia e da Síria também cometeram grande número de infrações. Enquanto isso, não foi registrada nenhuma infração dessas por qualquer diplomata sueco. Tampouco por algum diplomata da Dinamarca, do Japão, de Israel, da Noruega ou do Canadá.
O motivo de tão amplas variações nessa questão das multas de trânsito é que os seres humanos não são meros produtos da economia. Graças à imunidade diplomática, os diplomatas não pagaram absolutamente nada por estacionarem ilegalmente. Mas os seres humanos também são moldados por normas culturais e morais. Se você é sueco e, eventualmente, tem a chance de parar diante de um hidrante, simplesmente não o faz. Só porque você é sueco. Isso é quem você é.
O jornalista norte-americano Walter Lippmann foi ao âmago da questão num discurso há 65 anos. As pessoas não se tornam felizes pelo fato de satisfazerem os seus desejos, disse ele. Elas são felizes vivendo dentro de um sistema de crenças que restringe e dá coerência aos seus desejos: “Acima de todas as outras necessidades da natureza humana, acima da satisfação de qualquer outra necessidade, acima da fome, do amor, do prazer, da fama - até da própria vida -, o que um homem mais precisa é da convicção de estar inserido na disciplina de uma existência ordenada.”
As pessoas precisam da coerência proporcionada por sua cultura e a valorizam muito mais do que à facilidade de estacionar.
Por várias décadas, Lawrence E. Harrison, um veterano trabalhador em assistência no estrangeiro, observou o poder da cultura em moldar o comportamento. E concluiu que as diferenças culturais explicam, na maioria dos casos, por que algumas nações se desenvolvem rapidamente e outras, não.
Todas as culturas têm valor porque proporcionam coerência, mas algumas promovem o desenvolvimento, enquanto outras o retardam. Algumas culturas reprimem a corrupção, enquanto outras a toleram. Algumas culturas têm o seu foco no futuro, enquanto outras se concentram no passado. Algumas culturas incentivam a crença de que os indivíduos podem controlar o próprio destino, enquanto outras encorajam o fatalismo.
Num novo livro, The Central Liberal Truth (A Verdade Liberal Fundamental), Harrison trata da questão que hoje em dia está no centro da política: podemos, conscienciosamente, mudar culturas para que incentivem o desenvolvimento e a modernização? Harrison escreve sobre a pobreza, mas este é, para além disso, um livro sobre a guerra contra o terror, que questiona se é possível mudar a cultura do Oriente Médio e dos guetos da Europa muçulmana.
Por um lado, Harrison é um otimista. Ele tirou o título do livro de uma das mais significativas observações de Daniel Patrick Moynihan (senador democrata por Nova York, morto em março de 2003): “A verdade conservadora fundamental é que é a cultura, e não a política, que determina o sucesso de uma sociedade. A verdade liberal fundamental é que a política pode mudar uma cultura e salvá-la de si mesma.”
No entanto, quando Harrison aborda o tema de como a política pode mudar a cultura, logo dá para perceber que se trata de um homem que está plenamente ciente das limitações do que podemos saber e realizar. Harrison e uma equipe de acadêmicos globais estudaram as transformações culturais na Irlanda, na China, na América Latina e em outros lugares. Eles concluíram que as mudanças culturais não podem ser impostas de fora, exceto em raras circunstâncias. Elas têm de ser conduzidas por pessoas que reconhecem e aceitam a responsabilidade pelos problemas de sua própria cultura e reinterpretam seletivamente as suas próprias tradições para incentivar a modernização.
Harrison observa que gigantescos investimentos em educação, e de forma especial em melhorar a instrução feminina, normalmente precedem grandes transformações. O Chile era altamente alfabetizado no século 19. Em 1905, 90% das crianças japonesas estavam na escola. Esses investimentos criaram as bases fundamentais para os vôos mais altos que tiveram lugar algumas décadas mais tarde.
Harrison aponta muitos outros fatores - líderes que encorajam a liberalização econômica, movimentos que restringem o poder dos clérigos -, mas as principais impressões que ele deixa são as de que as mudanças culturais são medidas em séculos, não em décadas, e as culturas são separadas umas das outras por véus de complexidade e diferença.
Se Harrison estiver certo, não é de surpreender que jovens muçulmanos na Grã-Bretanha possam decidir por renunciar à liberdade e à prosperidade em troca do martírio num atentado aéreo. Eles são impelidos por uma profunda necessidade cultural de significado. Mas também é tolice pensar que podemos tratar das causas primárias de seus tóxicos desejos. Simplesmente teremos de combater os sintomas de uma doença que não podemos curar nem compreender.
David Brooks é articulista do jornal The New York Times
Escrito por Reaça às 20h42
[]
[envie esta mensagem]
MAINARDI
A coluna de Diogo Mainardi na Veja desta semana ("Fidel é brasileiro") é o melhor texto publicado em 2006 sobre o Brasil.
Escrito por Reaça às 17h52
[]
[envie esta mensagem]
SEM OPÇÕES
Reluto em dar meu voto a Geraldo Alckmin. Não por causa de Lula, óbvio. O atual presidente apenas desperta asco. É uma criatura repugnante. Seus assessores e partidários são a escória da política. E para ser a escória da política brasileira, tem de ser muito desprezível.
Mesmo assim, reluto no voto a Alckmin.
Não por causa da história do picolé de chuchu. Isso é bobagem. É legume sem gosto, inodoro e não faz diferença nenhuma. Quem dera pudéssemos ignorar esses sujeitos como fazemos com o chuchu.
Alckmin é mais honesto que Lula. Mas tal comparação beira a covardia. Até Eymael é mais honesto que Lula. É bom, mas pouco.
Ninguém apresenta compromisso com as liberdades individuais. Até agora não li ou ouvi nada sobre cortes significativos de impostos. Em fim de subsídios. Em redução de tarifas de importação. Na desregulamentação da economia. Alguém falou em privatizações? E em previdência privada?
Talvez na hora H eu vote em Geraldo porque qualquer um é melhor do que o Apedeuta. Se você que está lendo este post fosse candidato à Presidência, também teria chance de contar com o meu apoio se estivesse enfrentando aquele sem-vergonha.
Se votar no tucano, será com o mesmo gosto que encaro uma grande salada de chuchu.
Escrito por Reaça às 01h12
[]
[envie esta mensagem]
LULA, O SOFISTA
"Está cheio de família que tem problema dentro de casa e não sabe. Está cheio de pai e mãe que ficam sabendo que seu filho cometeu um delito pela imprensa ou quando a polícia prende. Como pode alguém querer que o presidente da República saiba o que está acontecendo agora na secretaria da agricultura do Estado de São Paulo, ligada ao Ministério da Agricultura?"
Ele não sabe de nada, não viu nada e mandou punir. Não tem culpa, o coitado. Mesmo que a safadeza tenha sido em órgãos tão distantes dele como a Casa Civil e o Ministério da Fazenda.
É um santo.
Escrito por Reaça às 00h42
[]
[envie esta mensagem]
QUE AZAR, HEIN?
Se o terrorista não fosse brasileiro, seria descrito pela Folha como "suposto" integrante do Hizbollah. A imprensa brasileira deu azar. Esse caso não tem como esconder e usar artimanhas para tentar responsabilizar Israel pela morte de "civis".
http://www1.folha.uol.com.br/folha/mundo/ult94u98659.shtml
Escrito por Reaça às 13h43
[]
[envie esta mensagem]
AS PORTAS DO INFERNO ESTÃO ABERTAS
Maior estadista do século XX, Winston Churchill tinha como característica marcante a generosidade. Era magnânimo até demais. Tanto que acalentou por anos incompreensível respeito pelo carniceiro de nome Stálin.
Embora grande admirador do ex-primeiro-ministro britânico, não tenho nada de magnânimo. Por isso, torço para que Fidel Castro morra o mais rápido possível.
O Diabo o espera de braços abertos.
Escrito por Reaça às 18h36
[]
[envie esta mensagem]
|