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É MERECIDO
Sabem por que Lula será reeleito? Porque ele sintetiza o espírito brasileiro: culpar outros pelos próprios erros e propagar auto-comiseração. O "discurso do coitado" é surrado, mas como 95% dos eleitores tem QI tão baixo quanto o do presidente, não tem como dar errado.
Em apenas uma frase, o sujeitinho resumiu isso hoje, no Rio Grande do Sul. Disse que "o (diploma) que eu não pude ter, eu quero que vocês (inscritos no ProUni) tenham", esquecendo-se que não estudou porque fez essa escolha, não porque foi impedido ou não teve oportunidade. Pura canalhice de quem demonstrou nos últimos anos tanto desdém e ressentimento com quem buscou conhecimento. Algo que vai muito além da mera formação escolar.
Eu poderia sentir piedade do Brasil e dos brasileiros pelo que está por vir. Mas a verdade é que não tenho pena nenhuma.
Escrito por Reaça às 15h10
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CHANCE PERDIDA
Local e hora ideais para Israel acertar um bombardeio.

Escrito por Reaça às 14h51
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OPORTUNÍSSIMO
Eduardo Suplicy para mim não é o senador petista por São Paulo. Quando o vejo, imediatamente me vem à cabeça o apelido genial que Paulo Frances lhe deu: inspetor Clouseau do Congresso.
Inspetor Clouseau disse hoje que seria oportuno um segundo turno de Lula contra Heloísa Helena.
Sem dúvida que é. Mais oportuno do que isso só uma bomba atômica na avenida Paulista.
Escrito por Reaça às 22h14
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OTIMISMO, APESAR DE TUDO
(...) quais seriam então as perspectivas para a liberdade? Nada há de espantoso em que o libertário contemporâneo, vendo o mundo a se tornar socialista e comunista e acrditando-se vrtualmente isolado e à margem de qualquer possibilidade de ação popular conjunta, tenda a impregnar-se de pessimismo quanto às suas perspectivas a longo prazo. Mas o panorama ilumina-se de imediato quando nos damos conta de que o requisito indispensável à civilização moderna – a derrocada da Velha Ordem – foi levado a cabo pela ação libertária das massas, irrompendo no Ocidente em revoluções tão grandiosas quanto a francesa e a norte-americana, provocando as glórias da Revolução Industrial e os avanços da liberdade, da mobilidade e os padrões de vida ascendentes que até hoje conservamos. Apesar das oscilações reacionárias no sentido de um retorno ao estatismo, o mundo mantém-se em um plano muito superior ao do mundo do passado. Quando consideramos também que, de uma maneira ou de outra, a Velha Ordem do despotismo, do feudalismo, da teocracia e do militarismo dominou todas as civilizções humanas até a civilização ocidental do século XVIII, o otimismo quanto ao que o homem conquistou e pode conquistar deve tornar-se ainda maior.
É possível retrucar , entretanto, que esse árido registro histórico de despotismo e estagnação apenas reforça o pessimismo das pessoas, pois mostra a persistência e durabilidade da Velha Ordem e a pretensa fragilidade e o esmorecimento da Nova, sobretudo em vista do retrocesso ocorrido no século passado. Mas uma análise de tal superficialidade deixa de de considerar a grande mudança ocorrida com a revolução da Nova Ordem, mudança claramente irreversível. Pois a Velha Ordem pôde persistir ao longo de séculos em seu sistema de escravidão apenas porque não despertava quaisquer expectativas ou esperanças nas mentes de populações imersas na penúria; o quinhão que lhes cabia era viver e subsistir em animalesca labuta na escravidão, enquanto obedeciam de forma incondicional às ordens de seus senhores, designados por Deus. Mas a revolução liberal implantou de modo indelével no espírito dos povos – não apenas no Ocidente, mas também no mundo subdesenvolvido ainda sob domínio feudal – um ardente desejo de liberdade, de terra para o campesinato, de paz entre as nações e, talvez acima de tudo, de mobilidade e de padrões de vida ascendentes, que só lhes podem ser assegurados por uma civilizção industrial. As classes subalternas jamais voltarão a aceitar a servidão insensata da Velha Ordem; e dadas essas exigências que o liberalismo e a Revolução Indstrial vieram despertar, a vitória final da liberdade é inevitável.
Apenas a liberdade, apenas um mercado livre, podem organizar e preservar um sistema industrial; e quanto maior é a população, mais necessário se faz o funcionamento desembaraçado dessa economia industrial. O laissez-faire e a exigência de um mercado livre tornam-se mais evidentes à medida que um sistema industrial amdurece; desvios radicais provocam colapsos e crises econômicas.
Murray Rothbard (Direita e Esquerda - Perspectivas para Liberdade)
Escrito por Reaça às 10h47
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O QUIZ DA DESFAÇATEZ
"Eu nunca fui esquerdista"
De quem é a frase acima:
a) George W.Bush
b) Tony Blair
c) FHC
d) Vladimir Putin
e) Lula
Escrito por Reaça às 01h40
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EM DEFESA DE ZIDANE
Detesto falar sobre futebol. É assunto em que pessoas normalmente sensatas perdem as estribeiras. Prefiro assistir e guardar minhas opiniões. Não prometo que é a última vez que escreverei sobre isso. Vou me esforçar para que seja.
Discutir ética na sociedade já é complicado. Se pensarmos no futebol, eleve a dificuldade à décima potência. É a terra onde é muito díscutível e tênue a linha do que é legítimo ou não. Ainda mais no Brasil, onde qualquer derrota é aceitável, menos dentro das quatro linhas. Não foi aqui que um técnico da Seleção, Sebastião Lazaroni, disse que não se importava em ganhar a Copa aos 47 do segundo tempo, com um gol de mão e impedido? E tal desapego às regras do jogo e aos mais simplórios valores morais encontram apoio ainda hoje.
Mas a expulsão de Zidane oferece uma oportunidade boa demais para tratar o assunto. Não pode ser ignorada. Nem que seja para uma simples discussão.
Horacio Elizondo e seus assistentes não erraram. No ponto de vista deles, o francês tinha que ser expulso. Pelas leis do jogo, ofensa não ouvida pelo árbitro não é falta. Cabeçada no peito do adversário, é.
Até que ponto é aceitável alguém permanecer 90 minutos ofendendo o rival e a família deste? É algo tão institucionalizado que parece até sacrilégio questionar. Mas chegou o momento de fazê-lo.
Você, caro leitor, aguentaria? Só por tratar-se de futebol, é aceitável? Se não o é no cotidiano, por que é dentro de campo? Ofende a inteligência de qualquer um argumentar que se tratam de atletas acostumados a isso. Ninguém pode se acostumar a ter a mãe, irmã, filha ou passarinho xingados durante uma hora e meia, todo final de semana. Zidane explodiu justamente na final da Copa. Chega um instante em que "enough is enough". Basta. O preço para isso foi o cartão vermelho. Materazzi ficou com a taça e saiu como o esperto da história.
Sinto muito, mas nos meus padrões morais, o canalha é o zagueiro, não Zidane. Se Marco fizesse uma falta violenta no meia adversário para tentar intimidá-lo, mereceria muito mais o meu respeito. Aliás, existem várias no currículo do becão da Internazionale.
O carrinho por trás é recurso muito mais honesto do que ficar xingando o oponente o jogo inteiro. A botinada é leal porque tem punição passível e visível a todos, ao contrário do torpe recurso da injúria cochichada. Esta é uma discussão que não vai adiante porque valores éticos não fazem ninguém perder o sono hoje em dia. No final de tudo, Materazzi é o espertalhão. Ele venceu o jogo, não é?
Compartilho a moral de Bill Shankly. O lendário técnico do Liverpool era tão avesso a jogadores que se atiravam no gramado e tentavam ludibriar a todos para vencer, que cunhou a frase: "Eu jamais enganaria ninguém dentro de campo. Se jogasse contra a minha mulher, quebraria as pernas dela. Mas não a enganaria".
Sinto muito, mas me recuso a criticar Zidane. Não vou deixar de considerá-lo um gênio do futebol por zagueiro nenhum. Muito por menos causa de Materazzi.
Escrito por Reaça às 14h35
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Artigo de Demétrio Magnoli na FSP de hoje e o que é viver no Brasil atual.
As "trezentas famílias'
JOSÉ DIRCEU , o grande operador, escreveu no "Jornal do Brasil" um artigo intitulado "Os inimigos do povo", que investe contra a "elite", definida como "a oposição e grande parte da mídia". Pouco depois, num jatinho do empresário Eike Batista, viajou para a Bolívia, onde dedicou-se a sigilosa missão de tráfico de influência.
Cláudio Lembo, o governador substituto, improvisou uma furiosa invectiva contra a "elite branca" para desviar a atenção da negociação que promovia com Marcola, o chefão do PCC. Em seguida, sua polícia decretou a pena de morte e promoveu um massacre de centenas de "suspeitos", executados com tiros na nuca, na cabeça ou nas costas.
Paulo Paim, o senador petista que elaborou o Estatuto Racial, enfureceu-se com a existência de vozes discordantes e, protegido pela armadura da imunidade parlamentar, qualificou de "laranjas" (a serviço da "elite branca", é claro) os integrantes de movimentos negros signatários da carta pública contrária a seu projeto de lei. Paim fala qualquer coisa: em 2003, prometeu votar contra a reforma previdenciária de Lula até a véspera da votação, na qual alinhou-se com o Planalto.
Edward Telles, o sociólogo americano que defende a classificação racial oficial dos cidadãos, usou um boletim internacional para falsificar o título da carta pública contra as cotas raciais, denominando-a "Manifesto da Elite Branca". Ontem, escreveu na Folha um artigo no qual "justifica-se" sob o "argumento" de que recebeu uma mensagem eletrônica com esse título na linha de assunto. É uma curiosa defesa do "direito" à falsificação que tem a óbvia finalidade de reiterar o epíteto que atribuiu à carta pública.
A filósofa Hannah Arendt identificou a conexão entre os movimentos totalitários e uma modalidade específica de degradação da linguagem política. "O que inspirava os manejadores da história não era o materialismo dialético de Marx, mas a conspiração das trezentas famílias; não o pomposo cientificismo de Gobineau e de Chamberlain, mas os "Protocolos dos Sábios do Sião'; não a influência da Igreja Católica e o papel do anticlericalismo, mas a literatura clandestina sobre jesuítas e maçons. A finalidade das mais variadas e variáveis interpretações era expor uma esfera de influências secretas, das quais a realidade histórica visível era apenas uma fachada externa construída com o fim expresso de enganar o povo."
Em José Dirceu, os "traidores do proletariado" e "agentes da CIA" de Stálin renascem nos "inimigos do povo". Em Lembo, Paim e Telles, as "trezentas famílias" adquirem nova figuração histórica na "elite branca". Tempos difíceis...
Escrito por Reaça às 18h32
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ABRA OS OLHOS
Sempre achei as teorias da conspiração uma grande bobagem. Mas esse negócio do PCC está estranho pacas. Os momentos dos ataques, o aproveitamento rasteiro das "autoridades" federais no caso, o depoimento de Marcola à CPI dizendo que leu "muito Lenin" e que a criação da organização foi inspirada no Partido Comunista Brasileiro...
Vivemos tempos duros e tudo indica que a coisa vai ficar muito pior.
Escrito por Reaça às 16h47
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EXPLICAÇÕES
Não quero parecer catastrofista, mas o mundo está indo para o buraco. A América Latina se esfacela, mergulhada em mar de "crime organizado" e "técnicas gramscianas" (e as duas expressões não se ligam apenas por estarem na mesma frase). Está ficando cada vez mais difícil ficar calado. Não por solidariedade. Nunca acreditei em coletivismos. Mas por mim mesmo e pelas pessoas que amo. Por enquanto, não há outro jeito que não viver nesse planetinha, matadouro de Deus.
Decidi voltar voltar a escrever. Não porque posso fazer diferença. Minha ingenuidade não chega a tanto. Meu silêncio me sufoca.
Escrito por Reaça às 16h36
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