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O REAÇA
 

BANZO II

Nunca uma cidade industrial foi tão bela quanto Manchester quando pisei pela primeira vez em Manchester Piccadilly.

'I love Manchester. It rains a lot. I like the rain'



 Escrito por Reaça às 00h12 [] [envie esta mensagem]



BANZO

Eu adoro a Inglaterra. Amo. Tenho certeza de que, se houvesse alguma justiça nesse mundo, eu seria inglês. Se houvesse MUITA justiça, seria irlandês, mas isso é outro papo.

Ao caminhar along the Thames em uma noite de outono, debaixo de um frio que aquece a alma, encontrei mais riqueza do que nos 25 anos anteriores de vivência no Brasil. Percebi que o mundo tinha muito mais a oferecer do que o simples horizonte da baía de Santos. Do topo do London Eye, contemplando a cidade de tão alto, dá para se sentir Deus.

Não existe, porém, nada, nada mesmo melhor do que simplesmente caminhar por aquelas ruas estreitas, sentindo-se nativo, o vento frio cortando o rosto enquanto cruza o caminho de uma riqueza da humanidade perdida em qualquer esquina. Quando estive lá, me disseram que em Londres são faladas mais de 300 línguas. Não sei se é verídico, mas com certeza, dominam uma língua que vale por 300. Em Trafalgar Square um inglês que vendia bugingangas para turistas descobriu (não me pergunte como!) que eu era brasileiro e começou a falar 'Feijão, caipinhina, Cafu, Felipao...'. Tanta coisa para ele me dizer em português e foi berrar justo 'Cafu'? Queria ver  mandar um 'paralelepípedo'. Seria quase tão difícil quanto é, para mim, pronunciar, de formas diferentes, 'world', 'word' e 'road'.

Diz-se que come-se mal na Inglaterra. Nunca ouvi mentira tão deslavada. A melhor feijoada que comi na vida foi em Oxford Street. E quando os britânicos têm feijoadas melhores que as nossas, é sinal que o Brasil acabou mesmo.



 Escrito por Reaça às 00h02 [] [envie esta mensagem]



ESTADO DE DIREITO?

'Vivemos em um Estado de Direito', pronunciou ontem o ministro da Justiça, ex-criminalista que virou bajulador-mór do presidente energúmeno.

Será? Será mesmo?

Estado de Direito implica no conhecimento pleno (por parte da sociedadade) das regras do jogo e a certeza de que elas não serão alteradas. Significa que o governo não pode tudo e não deve, principalmente, coagir os contribuintes.

Sabendo disso, quem, em sã consciência, pode garantir que vivemos em um pleno Estado de Direito?

O país é governado por Medidas Provisórias, que nada mais são do que decretos-leis. O Congresso é incapaz de rejeitar qualquer projeto do Executivo, qualquer que seja este. O empreendedor (e mesmo o cidadão comum) não tem segurança para crescer economicamente porque é achacado por uma carga tributária que cresce a cada governante de plantão.

Tem certeza, sr. Bastos? Está certo de que vivemos em um Estado de Direito ou será que não estamos mais próximos do totalitarismo?



 Escrito por Reaça às 00h40 [] [envie esta mensagem]



PARA ONDE ESTAMOS INDO...

"...o fascismo e o nacional-socialismo nasceram da experiência de uma sociedade cada vez mais planificada, que ia despertando para o fato de que o socialismo democrático e internacional visava a ideais incompatíveis. Sua tática desenvolveu-se num mundo já dominado pela política socialista e pelos problemas que este suscita. Não tinham ilusões quanto à possibilidade de uma solução democrática para os problemas que exigem um consenso muito maior dos homens do que seria razoável esperar. Não se iludiam pensando que a razão poderia decidir todas as questões sobre importância relativa dos desejos de diferentes pessoas ou grupos, questões geradas pelo planejamento. Tampouco acreditavam que a fórmula de igualdade oferecesse uma solução. Sabiam que o grupo mais forte, aquele que arregimentasse um número suficiente de adeptos em favor de uma nova ordem hierárquica da sociedade e oferecesse abertamente privilégios às classes a quem se dirigia, poderia conquistar o apoio de todos aqueles que se sentiam decepcionados porque, depois de lhes ter sido prometida a igualdade, haviam descoberto que só tinham contribuído para favorecer os interesses de uma classe específica. Acima de tudo, foram bem-sucedidos porque ofereciam uma teoria, ou uma concepção do mundo, que parecia justificar os privilégios por eles prometidos aos seus adeptos".

Frederick A. Hayek, O Caminho da Servidão

 



 Escrito por Reaça às 16h45 [] [envie esta mensagem]



O MUNDO MARAVILHOSO DE ZÉ DIRCEU

"Não existe uma única denúnica de corrupção contra esse governo, que não rouba e não deixa roubar"

Não adianta. Desde Marx, o socialismo oferece a virtude quando só pode entregar o monopólio da canalhice.



 Escrito por Reaça às 00h55 [] [envie esta mensagem]



O MEDO VENCEU A ESPERANÇA

Leio a Folha todos os dias. Não, não é masoquismo. Questão econômica. É um dos jornais que posso acessar de graça na Internet. Tento passar olímpicamente pelo esquerdismo rasteiro do diário. Mas tem dias que não dá.

A análise feita no caderno 'Mundo' de ontem sobre os atentados em Madrid é de uma desonestidade intelectual inacreditável. Artigo com o título de 'Espanhóis não baixaram a cabeça diante do terrorismo' tenta 'provar' (não consigo encontrar palavra melhor. Vai essa mesmo) que os espanhóis não se deixaram influenciar pelo medo do terrorismo nas eleições. Em determinado momento, o sujeito escreve:

'Em primeiro lugar, parte dos espanhóis mudou seu voto na última hora porque o governo de José María Aznar foi irresponsável ao culpar rapidamente o ETA...'

Linhas abaixo, outra frase:

'É difícil saber qual seria o impacto dos ataques na eleição caso o governo Aznar tivesse admitido, desde o início, a hipótese de uma ação da Al Qaeda...'

Mais na frente:

'O regime de Saddam Hussein era condenável e merecia ser contido, mas, pelas evidências disponíveis, não possuía ligações com a Al Qaeda. Segundo alguns dos mais sérios estudiosos do tema, a invasão do Iraque foi uma distração que não trouxe avanços no combate ao terror...'

Avanços? De bate-pronto, consigo citar a captura de centenas de criminosos, terroristas e o final de linha para um sangüinário ditador. Mas quem é que está importando-se com isso, não é mesmo?

O texto da Folha é mais relevante pelo que não diz. Se os espanhóis não se deixaram levar pelo terrorismo, por que a mudança de voto tão repentina? Foi porque o governo culpou o ETA, entidade igualmente terrorista já responsável por quase mil mortes e que teve carregamento de explosivos de quase um tonelada apreendido recentemente? Foi irresponsabilidade de Aznar ou de Zapatero, flagrado em reunião com assassinos do própprio grupo separatista basco?

Se alguém tinha motivo para não culpar o ETA era Aznar. Uma de suas bandeiras de governo foi ter desmantelado a organização, colocando todos os principais líderes atrás das grades. Era muito mais interessante a ele afirmar que era uma ação externa, o que não foi feito. É também conveniente a uma visão esquerdista (aquela coisa que Marx definiu como doença infantil do comunismo) dizer que o ainda premiê mentiu deliberadamente. Lembrem-se: direita = mal. Esquerda = bem.

Vale tudo para colaborar com um companheiro socialista. Afinal, seria extremamente vexatório para a Folha reconhecer que, na Espanha, o medo venceu a esperança.

 

 



 Escrito por Reaça às 13h32 [] [envie esta mensagem]



TEMA MORTO

Não gosto de cinema. Durante anos, relutei em admitir isso. Acho que é um tema morto e tenho extrema dificuldade em reconhecer arte em coisas feitas quase exclusivamente graças à computação gráfica.

Os filmes que realmente gostei não são mais realizados. Prefiro um Gene Kelly saracutiando em  'Cantando na Chuva' do que dez milhões de orcs que não existem invadindo um castelo qualquer. Não emociona, não é verdadeiro e para mim, cheira muito mal.

Quem tem disposição para passar três horas no escuro, sentado no mesmo lugar, para assistir a um longa qualquer está beirando o heroísmo, até porque deve ser extremamente irritante saber que uma equipe trabalha mais de 12 meses em um projeto qualquer e, quando chega ao público, este percebe que o diretor não conseguiu sequer concatenar cena com cena.

Talvez o problema seja que eu não estou mais em busca de redenção, tema onipresente em qualquer filme feito hoje em dia, do Gabão ao Rio Grande do Sul. Podem reparar: no final, sempre tem a recompensa, o júbilo, a volta por cima, mesmo que seja de forma escamoteada.

Pensando bem, depois de Scarlett O'Hara ter ouvido o pai dizer, à sombra daquela espetacular árvore e com o pôr do sol da Virgínia ao fundo, de que 'para qualquer um que tenha sangue irlandês nas veias, a terra é como se fosse mãe. Mas ele virá até você, o amor pela terra. Não há como fugir dele sendo irlandesa', muito pouco o cinema poderia oferecer.



 Escrito por Reaça às 15h25 [] [envie esta mensagem]



DEVE SER COISA DO DIABO

Não vou ver a tal 'Paixão de Cristo'. A primeira razão é óbvia: eu tenho mais o que fazer e não posso perder horas precisosas da minha vida vendo um filme do Mel Gibson. O último que assisti foi 'O Patriota'. Fui obrigado a isso. Foi a película exibida quando voltava de Roma a São Paulo em vôo da Alitalia. Quase torci para o avião cair, assim não teria que ver aquela porcaria até o final.

Não tenho tempo para impulsos megalomaníacos que não sejam os meus. O fato do Papa ter gostado não diz nada. Karol está gagá. Essa polêmica sobre anti-semitismo é de ignorância monstro. Até eu, que só não sou ateu por pura covardia, sei que o roteiro é uma exata descrição do Evangelho.

Filme sobre Cristo, feito por Mel Gibson, só pode ser coisa do Diabo.



 Escrito por Reaça às 17h54 [] [envie esta mensagem]



AINDA EXISTE SENSIBILIDADE NO JORNALISMO

Sempre tive certeza de que jornalismo é muito mais do que objetividade, concisão, supressão de adjetivos e outras imbecilidades ensinadas nas faculdades.

Prova disso foram as capas de ontem e hoje do diário de esportes espanhol 'Marca'. Nos dois dias seguintes ao atentado em Madrid, uma prova de que um jornal pode retratar a verdade tendo sensibilidade. Que é possível escutar a emoção sem ser piegas.



 Escrito por Reaça às 23h51 [] [envie esta mensagem]



JC do B

Sempre achei o fino do brega quando alguém, em resposta a uma crítica, desdenha dizendo: 'nem Jesus Cristo conseguiu unanimidade...'

Tinha certeza de que Lula a usaria em algum momento do governo. Pois o dia chegou. Foi ontem a data da maior de todos os clichês.

O sujeito é, realmente, um mentecapto.

 



 Escrito por Reaça às 05h13 [] [envie esta mensagem]



ABAIXO O TRABALHO DE EQUIPE!

Eu não sou uma pessoa prática. Vivo muito melhor no meu mundo: o das idéias, aquela noção ensaiada por Parmenides e que Platão foi esperto o suficiente para adaptar em algo seu. Sou desastrado e distraído ao extremo. Para completar, teimoso daqueles que não consegue adaptar-se a determinadas coisas. Sou como os gatos. Ando sempre pelas mesmas ruas e faço as coisas que estou acostumado a fazer. Uma sujeito de hábitos.

Acho que isso me encanta na filosofia. Idéias particulares. É um raciocínio eminentemente individual, o que é um bálsamo para quem, como eu, odeia o coletivo e não faz a menor questão de trabalhar em equipe. Quando o serviço é de 'equipe', você é obrigado a suportar os idiotas e contar com eles para qualquer coisa. Ao contrário de São Paulo, eu não consigo agüentar os tolos com cara alegre.

 



 Escrito por Reaça às 18h04 [] [envie esta mensagem]



NOTÍCIA SERIA SE ELE ESTIVESSE SATISFEITO...

Folha publica hoje, em manchete interna, que 'Ministro diz que Lula não está satisfeito com taxa de desemprego'.

Waaal, precisa gastar centímetros para dizer isso? Foi falta de assunto ou servilismo disfarçado a um governo cada dia mais indefensável?



 Escrito por Reaça às 13h03 [] [envie esta mensagem]



UNBELIEVABLE

Eu não tinha mais unhas. Falta para o Porto no último minuto. Não foi, diga-se de passagem.

'Não é possível. Eles não chutaram uma bola no gol o jogo todo...'

'Não se preocupe. Não vai entrar', disse Babi.

Me tranqüilizei. Fabiana não erra nunca nas previsões. Tinha que errar justo essa? A cobrança foi nas mãos de Tim Howard, que espalmou para frente em vez de colocar para escanteio. A bola cai nos pés de Costinha, que empurrou para dentro.

Desespero. Mãos na cabeça.

Oh, esportezinho desgraçado esse...



 Escrito por Reaça às 22h31 [] [envie esta mensagem]



FASTIO

Primeiro foi a história de fichar os americanos, idiotice que quase me levou à loucura. Agora é o casamento dos invertidos. Mais uma vez, o mundo está contra George W. Bush em um assunto em que ele, se não tem razão total, não está errado de todo.

A "polêmica" é culpa da separação Igreja-Estado, que até hoje não acontece plenamente. Não entendo porquê as pessoas devem casar-se perante ao governo, quando essa é uma 'cerimônia' religiosa. Perante à sociedade, basta um contrato. Casamento remete à religião, o que lembra tradição. Na trajetória milenar da Igreja, não há espaço para os invertidos. Estes rejeitam a tradição, mas ao mesmo tempo, buscam o que renegam. Deu para entender?

A citação ao velho Francis é inevitável: 'Meu sonho é viver em um país onde não conheço ninguém e onde não falo a língua, que é para nem precisar dizer 'bom dia'..."



 Escrito por Reaça às 00h32 [] [envie esta mensagem]



WAAAAL, QUE FALTA ELE FAZ

Não sei porquê, mas hoje senti uma falta monstruosa de Paulo Francis. Estranho. Não costumo ter saudades, ainda mais de quem não conheço pessoalmente. Talvez porque tenha visto novamente as entrevistas que concedeu ao Roda Viva. Talvez porque tenha acabado de ler a Folha e todo aquele esquerdismo porcamente escamoteado. Ora, sei lá porquê. Mas senti.

O engraçado é que, quando era adolescente, detestava Francis. Achava ridículo o tom afetado da voz no Jornal da Globo. Não havia percebido ainda que na televisão sempre se acaba sendo uma caricatura de si próprio. Não tem desculpa: eu era idiota. Hoje sou apenas burro.

Acho que o banzo do Diário da Corte é porque está tudo muito sem graça na imprensa brasileira. Sem cor, sem gosto, sem tempero. Essa maldita pirâmide invertida, o lead bocejante, a enfastiante falta de adjetivos. Tanto esforço para tentar mostrar imparcialidade. Inútil, já que falham miseravelmente. Sinto falta de frases como 'é melhor calar a boca, senão vou aí dar tapas naquele lugar onde você guarda o seu intelecto' ou 'nessa tu sifu, malandro'.

Estou mais convencido do que nunca de que Francis foi o nosso Mencken. As duas pessoas que eu gostaria de ter sido.



 Escrito por Reaça às 12h31 [] [envie esta mensagem]



ERA TUDO MARKETING

Sempre ouvi a ladainha de que o PT tinha os melhores quadros do País. Não importava a área: saúde, educação, segurança pública. Eles eram os campeões da austeridade, inigualáveis na competência. E na ética, então? Arf, nem se fala. Na campanha presidencial do ano passado, Lula andava para cima e para baixo com livros. Dizia conter os planos do partido para todas as áreas de administração.

Elegeram-se. Mais de um ano depois, chega-se à conclusão de que as tais 'obras' eram recheadas de receitas de bolo ou as maledicências eram verdadeiras: Lula não sabe ler, já que tanta genialidade ainda não foi colocada em prática.

A filosofia econômica é a mesma de FHC. Isso é estelionato eleitoral, mas é dos males, o menor. Seria muito (mas muito mesmo) pior se o governo seguisse conselhos como daquela besta da Maria da Conceição Tavares ou se tivesse no Planalto alguém do porte uspiano da Marilena Chauí, dona de raciocínios claros como o mar de Santos e obras risíveis.

Engraçado é que, em todas as áreas, nossos atuais mandatários não sabem o que fazer. Nem conseguem redigir uma MP. No caso dos bingos, tiveram uma atitude revanchista e imoral ao decidir fechar todas as casas de jogos porque descobriram que um dos amigos do Zé Dirceu é corrupto. O ministro da Justiça foi responsável pelo texto final. Conseguiu a façanha de sequer atingir o principal acusado do escândalo, que deu entrevistas garagalhando da estupidez esquerdista.

O Brasil não tem salvação.

 



 Escrito por Reaça às 13h31 [] [envie esta mensagem]